quarta-feira, 15 de julho de 2009

Formas constituintes dos recipientes

A nomenclatura em cerâmica arqueológica é muito importante para podermos descrever e desenhar correctamente os recipientes e as partes constituintes (que normalmente em cerâmica nos aparecem com um carácter fragmentário). Daí, pelas imagens identificamos:
















Abertura - abertura máxima do recipiente também chamada de boca;

Bordo - parte supeior do recipiente desde o início do colo até à zona da boca/abertura

Recto - quando as paredes seguem linhas paralelas verticais

Reentrante - significa que o bordo é fechado, isto é, as suas paredes têm uma inclinação para o interior do recipiente reduzindo de forma significativa o diâmetro do bordo; podem ainda ser direitos, se as paredes forem rectas, mas podem igualmente ser côncavos ou convexos, no caso das paredes curvarem para dentro ou para fora, respectivamente;

Esvasado - quando as paredes do bordo tendem para o exterior, alragando o diâmetro de boca. Podem igualmente ser direitos, côncavos ou convexos.

Lábio - remate do bordo, geralmente arredondado


Colo - parte constrita do recipiente, abaixo do bordo e acima do ombro

Ombro - zona intermédia da parede dos vasos estrangulados (providos de colo) onde se faz a inflexão entre a zona da pança, de diâmetro mais largo, e a zona constrita. pode ser delineado por uma curva contínua ou marcado por uma carena.

Bojo ou Pança - porção do recipente abaixo do ombro, embora este designação também se possa aplicar a toda a parte que seja abaixo do bordo. Não confundir esta designação com corpo, na medida em que em arqueologia deve-se designar por corpo as partes abaixo do colo, que geralmente não têm qualquer forma.


A Cerâmica da Idade do Ferro no território português



Kylix em cerâmica grega ática de verniz negro






Cerâmica do tipo Oriental

Cerâmica de verniz vermelho

É a principal produção cerâmica oriental. As pastas são normalmente depuradas e arenosas. A cozedura é sempre oxidante e a temperaturas não muito elevadas. O verniz é o descritor essencial nestas cerâmicas, e o que oferece uma maior variabilidade, não só devido à sua composição (multiplicidade de receitas de acordo com as oficinas), mas também porque é facilmente afectado pelas condições de conservação enquanto as cerâmicas estão soterradas. O verniz não era mais do que uma solução aquosa com corantes e ligantes de origem orgânica (gordura, resina, colóides, etc.) aplicado por pincelagem sobre a superfície da cerâmica, o que confere um aspecto particular. A cor é muito variável atravessando toda a gama do vermelho ao castanho. A principal forma é o prato de bordo largo.

Cerâmicas pintadas

São várias cerâmicas pintadas, algumas com verniz, outras com pigmentos e barbotinas de base argilosa. As cores utilizadas são o vermelho, o negro e o branco com grandes gamas de variação. O padrão decorativo é, sobretudo, a banda alternada, ritmada quanto à sua espessura. Conhece-se também a faixa de reticulado como padrão decorativo. Posteriormente, adoptar-se-é a pintura monocromática (do vermelho escuro ao negro).


Cerâmica de tradição local

Cerâmicas cinzentas finas

Normalmente, são de pastas depuradas e produção cuidada, sendo as formas dos vasos sujeitas a alguma estandardização. A cozedura redutora que conferia aos vasos os tons acinzentados, por vezes quase negros, fazem parte de um estilo de produção muito divulgado em todo o Mediterrâneo.

Cerâmicas estampilhadas

São cerâmicas decoradas com o recurso a estampilhas, normalmente geométricas, por vezes figurativas, que são aplicadas sobre o corpo dos vasos em bandas ou noutras disposições mais complexas. A estampilhagem restringe-se mais a dois tipos principais de vasos: potes de armazenamento e cerâmicas cinzentas finas

Cerâmica Castreja

Caracterizada por pasta micácea e tons escuros resultantes de cozedura em forno redutor. Tem decoração incisa ou impressa e uma variabilidade formal limitada (de notar os recipientes de perfil "S")


Cerâmica Grega

Os oleiros gregos foram sempre beneficiados pela abundante matéria-prima de qualidade e, desde cedo, por uma alargada experiência de produção ao longo da Idade do Bronze, principalmente os da região da Ática. A partir de cerca de 1000 a. C., desenvolveram um estilo conhecido por Geométrico, que se refere directamente ao tipo de decoração. Na segunda metade do século VIII a. C, os contactos dos gregos com o Oriente levaram à introdução do reportório figurativo de uma larga gama de decorações florais, animalísticas e historiadas que se designa por estilo orientalizante. No século V a. C. estabelece-se a dominância das oficinas áticas e define-se o estilo de figuras negras. As figuras são pintadas a negro e a vermelho sobre o fundo claro da cerâmica alisada. Os detalhes da figuração são obtidos por esgrafitagem sobre a pintura, deixando aparecer a cor do suporte. Pequenos toques de branco são, por vezes, aplicados. A pintura atribui-se em bandas ocupando todo o vaso ou em quadros que ocupam a superfície de curvas mais amplas. Em 530 a. C. descobre-se a invenção da técnica de "figuras vermelhas": todo o vaso é coberto por verniz negro, deixando em reserva o contorno das figuras, cujo desenho é conseguido com finos traços da mesma tinta. Rapidamente tornado dominante, este estilo de pintura deixaria para a prosperidade alguns dos melhores exemplos da pintura antiga.

A Cerâmica do Neolítico Antigo no território português





















Vaso com decoração plástica
Vários autores consideram uma divisão do Neolítico Antigo em duas fases _ Neolítico Antigo Cardial e o Neolítico Antigo Evolucionado ou Epicardial.De uma maneira geral, em ambas as fases as cerâmicas são de formas simples e variadas, geralmente de tendência esférica ou ovóide e com paredes grossas. Ocasionalmente, existe registo de recipientes com colo estreito ou de forma cilíndrica. As asas pesadas e perfuradas situam-se no bordo ou no bojo dos recipientes.A decoração é particularmente atribuída aos vasos esféricos.No Neolítico Antigo Cardial a cerâmica caracteriza-se por decoração impressa e plástica por cordões e mamilos junto ao bordo, enquanto que no Neolítico Antigo Evolucionado ou Epicardial caracteriza-se por motivos incisos organizando-se em bandas horizontais, verticais e métopas (faixas verticais alternadas com espaços não decorados ou com motivos com organização horizontal; as faixas verticais circunscrevem espaços/motivos decorativos e aparecem, de forma regular).

A Cerâmica Romana no território português



Prato em terra sigillata


Cerâmica Campaniforme


Esta cerâmica é herdeira directa da cerâmica grega de verniz negro.


Cerâmica de paredes finas

Antes de se generalizar o uso de vidro na produção de vasos para beber, os romanos utilizavam vasos de uma cerâmica especial, muito compacta e com um engobe de características particulares que se designa por cerâmicas de paredes finas.
É uma cerâmica de tons claros e o engobe varia entre o castanho e o amarelo ocre.
A superfície externa é frequenetemente decorada utilizando-se a barbotina, a aplicação de areia e a incisão por carretilha.
Apresenta um reportório formal vasto.

Terra Sigillata


Itálica

Caracteriza-se pela substituição do verniz negro por um engobe de base argilosa, enriquecido com alguns minerais não presentes na argila de base, a que a cozedura conferia uma cor vermelha brilhante e um aspecto próximo do lacre.
Esta estética nova vais determinar o aspecto geral da cerâmica de luxo durante cerca de 500 anos.
É uma argila de qualidade, fina e depurada.
O engobe é muito brilhante e liso com tons vermelhos desde o lacre ao tijolo, tendendo, por vezes, a descolar-se da pasta.
O reportório formal é muito característico pelo cuidado posto na modelação das peças com pés e bordos moldurados e decorados.
As peças são decoradas em molde o que inclui peças de elevado nível artístico.

Sud-Gálica

É distinguível da Itálica apenas pela composição química.
Os ateliers sud-gálicos tornar-se-iam um dos principais centros fornecedores da Península Ibérica..
São argilas de alta qualidade. A pasta é muito dura e o engobe muito aderente e vermelho. As cores variam de vermelho cereja ao vermelho lacre.
É uma cerâmica lisa com moldurações e decoração maioritariamente em molde e também obtida por aplicação de barbotina.
Abandona as grandes composições figuradas, mas mutiplica os esquemas decorativo vegetalistas ou metopados, com uma rica gramática de figuras divinas, humanas e animais.

Hispânica

As oficinas apresentam um esquema formal próprio, ainda que derivado do reportório da Gália do Sul.
A decoração, especialmente, assistiu a um empobrecimento da gramática figurativa e da qualidade de execução.
As pastas são finas e normalmente duras, mas menos depuradas, podendo normalmente distinguir-se a olho nú pequenas partículas de desengordurante.
Os vernizes de cor, brilho e dureza, muito variáveis, tendem a perder qualiddae ao longo do tempo.

Africana e Oriental

Caracteriza-se pelo fraco domínio das oficinas em enriquecer o engobe de maneira a que após a cozedura ele se identificasse como uma película aderente, nitidamente distinta da pasta. Embora o engobe seja relativamente cuidado, é composto pela mesma argila da pasta, sendo por isso de cor e textura idênticas (isso não impede, contudo, que esse revestimento seja , muitas vezes, de grande qualidade.
Noutros casos aplicou-se uma aguada ou outra forma de acabamento que conferem às peças um aspecto sempre distinto).

Ânforas


As ânforas são os recipientes por excelência destinados ao transporte de produtos locais (azeite, vinho e produtos píscicolas) a longas distâncias. O transporte naval era na época romana o mais seguro e económico e as ânforas eram os contentores particularmente adequados a essa forma de transporte.
Cada tipo específico destinava-se a um determinado produto.
A variabilidade regional é muito marcada pelas matérias-primas e pelas formas escolhidas.
Individualmente consideradas, as ânforas são o grupo cerâmico que mais informação nos oferece nos domínios do comércio e da economia antiga em geral.

Cerâmicas comuns romanas de mesa ou cozinha


A variabilidade de produções de cada cidade romana deste tipo de cerâmica é proporcional à diversidade de: matérias-primas; tradição dos oleiros; evoluções locais do gosto; processos de interacção e de mercado entre produções locais e de louças de luxo importadas.
É, normalmente, uma cerâmica de qualidade, estandardizada em tipos e produções utilizando matérias-primas bem definidas e compondo baixelas diversificadas, com formas especializadas para a mesa, a cozinha, a armazenagem e transporte.

A Cerâmica do Calcolítico no território português



Vaso campaniforme


Calcolítico Inicial (caracterizado pelos chamados copos canelados)

As taças carenadas tornam-se raras enquanto que a taça em calote é bastante frequente, assim como o vaso de bordo em aba.
Os pratos, taças e outros recipientes esféricos tanto apresentam bordo simples como bordo espessado.
É frequente a decoração canelada sobretudo em taças de calote e copos.
O acabamento é fino. Os recipientes são bem cozidos com superfícies brilhantes, decorados com ténues caneluras.

Calcolítico Pleno/Médio (referido como horizonte da cerâmica folha de acácia)

Não apresenta taças carenadas e há uma redução do número de vasos de bordo com aba. As restantes formas mantêm-se, especialmente recipientes esféricos de bordo espessado.
A decoração é constituída por caneluras profundas e motivos impressos cuja combinação lembra folhas de acácia, que aparece geralmente em grandes vasos de bordo reentrante. Vasos de forma cilíndrica com paredes verticais, pastas finas e, por vezes, com engobe, surgem também com a nova decoração.

Calcolítico Final (cerâmica campaniforme)

A cerâmica campaniforme é precisamente um novo tipo de morfologia _ vasos campaniformes. Surgem tambem caçoilas e taças de pé.
São cerâmicas de prestígio, indicadoras da existência de hierarquias sociais e de contactos a longas distâncias, por serem particularmente decoradas e apresentaram acabamentos finos.
Os grupos de cerâmica campaniforme têm características individualizantes que permitem a sua fácil classificação tipológica, sendo usados para a datação relativa de contextos arqueológicos.

A Cerâmica da Idade do Bronze no território português


Taça carenada


Há nas colecções arqueológicas reunidas em museus e outras instituições um volume invulgar de objectos cerâmicos de qualidade excepcional, frequentemente objectos avulso ou escavados durante os primórdios da arqueologia em Portugal e, por isso, sem bons dados contextuais.
Excepcional valor de algumas colecções conduziu a que se tenha dado maior atenção a conjuntos cerâmicos menos representativos do que as cerâmicas de uso diário.
As formas carenadas e os restantes tipos morfológicos precedem períodos anteriores.
É uma cerâmica de pasta e acabamento mais grosseiro.
Em número reduzido registam-se cerâmicas de qualidade, com formas e decoração que as particularizam. São utensílios cerâmicos relacionados de diferenciação social e com contextos de produção de produção e consumo de comida.
Apresentam grande variedade morfológica, mas ao mesmo tempo aparecem elementos presentes em territórios alargados. Por exemplo, as cerâmicas brunidas e de ornatos brunidos do Bronze Final aparecem dispersas por todo o território.
Outros tipos de cerâmica característico deste período são as cerâmicas impressas, dominando a impressão de dedadas, decorações plásticas com cordões e mamilos, as cerâmicas de ornatos brunidos e a cerâmica tipo Boquique, também designada como "punta en raya", cuja decoração é constituída por pequenas impressões dentro de uma incisão contínua e incrustação de pasta branca.

A Cerâmica do Neolítico Médio e Final no território português


Vaso de boca oval em cerâmica com revestimento a almagre

É um período de transformação a nível de enterramento que marca profundamente a Pré-História do território nacional, tornando o megalitismo o centro deste período e um dos temas mais estudados em Portugal.Os recipientes cerâmicos do período protomegalítico tem formas simples _ taças em calote e vasos de colo _ por vezes, decorados com impressões e incisões, na sequência do que acontece nas fases anteriores.Numa fase média, os recipientes continuam a ter formas simples. Registam-se, contudo, as primeiras formas carenadas. São pouco decorados com sulco horizontal sob o lábio e, por vezes, com revestimento a almagre (engobe vermelho).Na fase do apogeu, a cerâmica é geralmente lisa, com bordos ocasionalmente denteados e raras impressões foliolares. As formas são mais diversificadas e especializadas, sendo comuns pratos de bordo simples, taças de bordo espessado, grandes taças carenadas e taças em calote.

Análises de cerâmicas

É certo que por questões metodológicas, a análise visual ou com o auxílo de uma lupa é certamente o método mais vulgar em estudos de cerâmica arqueológica.

Contudo, existem já análises avanaçadas e especializadas aplicadas a cerâmicas arqueológicas:

Métodos de Datação
Termoluminescência

Permite determinar o período de tempo que passou entre o momento em que um recpiente foi cozido (ponto zero) e o momento presente. A datação por termoluminiscência tem como base a medição da quantidade emitida quando um objecto cerâmico é aquecido, dado que esta quantidade de luz é proporcional à idade do objecto. Quando o objecto cerâmico é cozido pela priemira vez (pouseja, quando é fabricado) a aradiação acumulada durante a vida geológica das argilas é eliminada, referindo-se este momento como ponto zero. A datação por termoluminiscência mede a radiação acumulada pelo objecto desde o fabrico, permitindo esta mediação calcular a idade absoluta do objecto e, por associação, do contexto. É um método directo, contudo, dispendioso com uma margem de erro que pode variar entre os 5% e os 10% da idade calculada.

Análises de Proveniência
Análise por activação com neutrões

É um método científico que permite identificar a composição química de cerâmicas. É muito útil porque através desta análise se podem obter resultados qualitativos e quantitativos, permitindo a identificação de um número elevado de eleemntos químicos. O método de análise consiste em pulverizar uma pequena amostra de cerâmica (20 a 100 mg) e submetê-la a radiação. Os núcleos dos átomos são excitados através do bombardeamento de neutrões, transformando-os em isótoposradioactivos instáveis, que seguidamente se decompõem emitindo ao mesmo tempo vários tipos de radiação. A radiação gama
é a mais útil para a análise e permite a identificação dos elementos que compõem a amostra cerâmica e a sua concentração. Para que os resultados sejam significativos, e possam ser analisados estatisticamente, temde se proceder à análise de um número considerável de amostras de recipientesou fragemetos, o que aliado ao elevado custo do método tronadifícil a sua generalização em investigação arqueológica. Trata-se de um dos métodos preferidos para a análise de materiais arqueológicos, dado ser minimamente destrutivo e permitir a identificação de centros de origem das cerâmicas.

Lei de Bases do Património Cultural Português

No que diz respeito ainda aos bens arqueológicos, nos quais podemos incluir a cerâmica, estão mencionados na Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro_ Lei de Bases do Património Cultural Português e, desta forma, ao abrigo da legislação do nosso país.
Os artigos específicos a estes assuntos são referenciados em seguida:


CAPÍTULO II
Do património arqueológico

Artigo 74.º
Conceito e âmbito do património arqueológico e paleontológico

1- Integram o património arqueológico e paleontológico todos os vestígios, bens e outros indícios da evolução do planeta, da vida e dos seres humanos:
a) Cuja preservação e estudo permitam traçar a história da vida e da humanidade e a sua relação com o ambiente;
b) Cuja principal fonte de informação seja constituída por escavações, prospecções, descobertas ou outros métodos de pesquisa relacionados com o ser humano e o ambiente que o rodeia.
2- O património arqueológico integra depósitos estratificados, estruturas, construções, agrupamentos arquitectónicos, sítios valorizados, bens móveis e monumentos de outra natureza, bem como o respectivo contexto, quer estejam localizados em meio rural ou urbano, no solo, subsolo ou em meio submerso, no mar territorial ou na plataforma continental.
3- Os bens provenientes da realização de trabalhos arqueológicos constituem património nacional, competindo ao Estado e às Regiões Autónomas proceder ao seu arquivo, conservação, gestão, valorização e divulgação através dos organismos vocacionados para o efeito, nos termos da lei.
4- Entende-se por parque arqueológico qualquer monumento, sítio ou conjunto de sítios arqueológicos de interesse nacional, integrado num território envolvente marcado de forma significativa pela intervenção humana passada, território esse que integra e dá significado ao monumento, sítio ou conjunto de sítios, e cujo ordenamento e gestão devam ser determinados pela necessidade de garantir a preservação dos testemunhos arqueológicos aí existentes.
5- Para os efeitos do disposto no número anterior, entende-se por território envolvente o contexto natural ou artificial que influencia, estática ou dinamicamente, o modo como o monumento, sítio ou conjunto de sítios é percebido.

Artigo 75.º
Formas e regime de protecção

1- Aos bens arqueológicos será desde logo aplicável, nos termos da lei, o princípio da conservação pelo registo científico.
2- Em qualquer lugar onde se presuma a existência de vestígios, bens ou outros indícios arqueológicos, poderá ser estabelecido com carácter preventivo e temporário, pelo órgão da administração do património cultural competente, uma reserva arqueológica de protecção, por forma a garantir-se a execução de trabalhos de emergência, com vista a determinar o seu interesse.
3- Sempre que o interesse de um parque arqueológico o justifique, o mesmo poderá ser dotado de uma zona especial de protecção, a fixar pelo órgão da administração do património cultural competente, por forma a garantir-se a execução futura de trabalhos arqueológicos no local.
4- A legislação de desenvolvimento poderá também estabelecer outros tipos de providências limitativas da modificação do uso, da transformação e da remoção de solos ou de qualquer actividade de edificação sobre os mesmos, até que possam ser estudados dentro de prazos máximos os testemunhos que se saiba ou fundamentadamente se presuma ali existirem.
5- Desde que os bens arqueológicos não estejam classificados, ou em vias de o serem, poderão os particulares interessados promover, total ou parcialmente, a expensas suas, nos termos da lei, os trabalhos arqueológicos de cuja conclusão dependa a cessação das limitações previstas nos n.ºs 2 e 4 do presente artigo.
6- Depende de prévia emissão de licença a utilização de detectores de metais e de qualquer outro equipamento de detecção ou processo destinados à investigação arqueológica, nos termos da lei.
7- Com vista a assegurar o ordenamento e a gestão dos parques arqueológicos, definidos no n.º 4 do artigo 74.º, a administração do património arqueológico competente deve, nos termos da lei, elaborar um plano especial de ordenamento do território, designado por plano de ordenamento de parque arqueológico.
8- Os objectivos, o conteúdo material e o conteúdo documental do plano referido no número anterior serão definidos na legislação de desenvolvimento.

Artigo 76.º
Deveres especiais das entidades públicas

1- Constituem particulares deveres do Estado, sem prejuízo do disposto nos estatutos das Regiões Autónomas:
2- Criar, manter e actualizar o inventário nacional georreferenciado do património arqueológico imóvel;
a) Articular o cadastro da propriedade com o inventário nacional georreferenciado do património arqueológico;
b) Estabelecer a disciplina e a fiscalização da actividade de arqueólogo.
c) Constitui particular dever do Estado e das Regiões Autónomas aprovar os planos anuais de trabalhos arqueológicos.
3- Constituem particulares deveres da Administração Pública competente no domínio do licenciamento e autorização de operações urbanísticas:
a) Certificar-se de que os trabalhos por si autorizados, que envolvam transformação de solos, revolvimento ou remoção de terreno no solo, subsolo ou nos meios subaquáticos, bem como a demolição ou modificação de construções, estão em conformidade com a legislação sobre a salvaguarda do património arqueológico;
b) Dotar-se de meios humanos e técnicos necessários no domínio da arqueologia ou recorrer a eles sempre que necessário.

Artigo 77.º
Trabalhos arqueológicos

1- Para efeitos da presente lei, são trabalhos arqueológicos todas as escavações, prospecções e outras investigações que tenham por finalidade a descoberta, o conhecimento, a protecção e a valorização do património arqueológico.
2- São escavações arqueológicas as remoções de terreno no solo, subsolo ou nos meios subaquáticos que, de acordo com metodologia arqueológica, se realizem com o fim de descobrir, conhecer, proteger e valorizar o património arqueológico.
3- São prospecções arqueológicas as explorações superficiais sem remoção de terreno que, de acordo com metodologia arqueológica, visem as actividades e objectivos previstos no número anterior.
4- A realização de trabalhos arqueológicos será obrigatoriamente dirigida por arqueólogos e carece de autorização a conceder pelo organismo competente da administração do património cultural.
5- Não se consideram trabalhos arqueológicos, para efeitos da presente lei, os achados fortuitos ou ocorridos em consequência de outro tipo de remoções de terra, demolições ou obras de qualquer índole.

Artigo 78.º
Notificação de achado arqueológico

1- Quem encontrar, em terreno público ou particular, ou em meio submerso, quaisquer testemunhos arqueológicos fica obrigado a dar conhecimento do achado no prazo de quarenta e oito horas à administração do património cultural competente ou à autoridade policial, que assegurará a guarda desses testemunhos e de imediato informará aquela, a fim de serem tomadas as providências convenientes.
2- A descoberta fortuita de bens móveis arqueológicos com valor comercial confere ao achador o direito a uma recompensa, nos termos da lei. Quem encontrar, em terreno público ou particular, ou em meio submerso, quaisquer testemunhos arqueológicos fica obrigado a dar conhecimento do achado no prazo de quarenta e oito horas à administração do património cultural competente ou à autoridade policial, que assegurará a guarda desses testemunhos e de imediato informará aquela, a fim de serem tomadas as providências convenientes.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A Cerâmica em Bracara Augusta

A actividade de olaria encontra-se bem testemunhada na cidade de Bracara Augusta. Desempenha um papel importante na vida económica da cidade que floresceu devido à existência de barreiros de boa argila nas proximidades de Braga.
Entre os produtos característicos da olaria romana conta-se a generalidade da cerâmica comum de uso doméstico, produzida com argilas oriunda da zona de Prado, situada cerca de 6 km a Nororeste de Braga, que chegaria à cidade através da Via XIX.















Cerâmica comum de produção local


Um produto de melhor qualidade conhecido por "cerâmica bracarense", de pasta clara, formas delicadas e cuidado acabamento, imitando formas de sigillata, poderá ter sido igualmente produzido em Bracara Augusta, com caulinos oriundos da orla litoral. No entanto, os estudos em curso não são ainda conclusivos quanto à origem bracarense desta cerâmica, que poderá ter tido como centro produtor o acampamento romano de Acquis Querquernis, situado no eixo da Via Nova, mas já em território da actual Galiza.













Peça de cerâmica "bracarense"


Um conjunto de pequenas lucernas de uso corrente, de fabrico local, apresenta a asssinatura de Lucretius, que poderá ter sido um oleiro com oficina em Bracara Augusta, em finais do século I. Dois moldes de lucernas, assinados por L. Munatius Treptus, sugerem, entretanto, que aquele conhecido oleiro do Norte de África teria aberto na cidade uma olaria subsidiária da sua oficina norte-africana.















Lucernas de produção local


Bracara Augusta conheceu ainda a produção de ânforas fabricadas, provavelemente, também com as argilas da zona de Prado.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Denominações específicas

Depois de sabermos classificar cada parte constituinte do recipiente cerâmico devemos saber as denominações específicas para formas cerâmicas já estudadas e bem caracterizadas, usadas na termonologia etnográfica e na terminologica das artes decorativas. Estas denominações relacionam-se principalmente com funções específicas dos recipientes.










Almofariz - recipiente aberto, normalmente de bordo muito esvasado e lábio pendente, característico pela superfície interna, tratada de forma apta a permitir o esmagamento dos alimentos aí colocados.









Ânfora - vaso de grandes dimensões destinado ao transporte de produtos, caracterizado pelo colo estrangulado, asas sobre o ombro, ou do ombro ao bordo, e fundo pontiagudo. Ainda que tipicamente romana, foi também produzida noutras épocas. A versão miniatura (normalmente menos estandardizadas que as versões verdadeiramente comerciais) designa-se por vezes por "anforeta".











Bacia - vaso de forma geral idêntica à das malgas ou tigelas mas de grandes dimensões.
















Balde - grande vaso de forma geral troncocónica, mais alto que largo.









Bilha - recipiente de paredes normalmente muito contracurvadas, de dimensões não muito grandes, característico pela provisão de uma ou duas asas e de um bico de verter, destinado ao transporte e tranvase de água (ou outros líquidos).














Cálice - pequeno vaso para beber, normalmente de forma aberta, dotado de um pé alto.












Candeia - pequeno recipiente hemisférico e aberto, com o bordo ondulado de forma a poder suportar o pavio.












Cantil - recipiente de forma circular, munido de duas pequenas asas de forma adequada à suspensão e uma pequena boca.
















Copa - vaso pouco fundo e de bordo esvasado, normalmente sem estrangulamentos, com duas asas.
















Copo - vaso de beber normalmente de forma troncocónica ou cilíndrica, de paredes fina








Escudela - pequenas taças baixas de forma bastante robusta, com base sólida e carena, côncava no interior e de paredes bastantes espessas. O termo reserva-se normalmente para produções medievais e posteriores.













Frigideira - recipiente largo, aberto e com paredes baixas, próprio para uso no fogo a altas temperaturas.












Garrafa - recipiente de colo alto e estreito, próprio para conter líquidos e seu transvase em pequenas quantidades.














Jarra - vaso alto de paredes abertas, com ou sem estrangulamento mediano.














Jarro - vaso de médias dimensões, entre o púcaro e o cântaro. Com a bilha, é o vaso por excelência para o serviço de líquidos.








Lucerna - o termo reserva-se para os pequenos utensílios fechados da época romana, composto por um corpo viscóide provido de um pequeno orífio de enchimento e um bico largo, com outro orifício onde se alojava o pavio. Para certas variantes abertas, produzidas em cerâmica comum, usa-se o termo lamparina.



















Pote - recipiente de dimensões superiores à das panelas, mas tipologicamente bastante semelhante, apto a cozinhar e/ou guardar alimentos.














Prato - recipiente muito aberto, de fundo plano e paredes muito baixas com bordos de forma variada, mas normalmente esvasado.











Púcaro - recipiente que se destinava a levar pequenas porções de líquidos ou alimentos ao fogo. Com morfologia semelhante a uma panela, mas com dimensões muito menores e uma única asa.
















Queimador - vaso normalmente caracterizado por uma abertura que permite alimentar a combustão no seu interior e a dispersão dos fumos daí resultantes; as formas variam imenso conforme as épocas.










Taça - recipiente de forma normalmente hemisférica, ou de paredes arqueadas, como uma tigela, forma da qual se distingue pelas maiores dimensões.













Tacho - recipiente de cozinha, de forma semelhante à da frigideira, mas normalmente mais fundo.











Talha - recipiente de grandes dimensões destinado ao armazenamento ou à transformação de grandes quantidades de líquidos.












Testo - utensílio destinado a cobrir um recipiente. O perfil é normalemnet troncocónico e provido de asa, podendo por vezes confundir-se com o perfil de pequenas tigelas de pé alto; distingue-se, contudo, pelo tratamento mais cuidao dado à superfície da asa, o que não aconteceeria na face de assentamento de um pé.








Tigela/Malga - vaso aberto de dimensões modestas, sempre de formas abertas (ainda que os perfis pssam variar imenso).